Napa Valley, provavelmente a região de vinho mais conhecida do mundo! E nós percebemos porquê... embora não seja mais do que um vale com 30 km de comprimento, 5 km de largura e uma estrada no meio, com vinhas de ambos os lados.. No entanto, estão aqui representadas as maiores e melhores "adegas" do país.
Napa apenas representa 4% da produção total dos EUA, ao passo que a Califórnia toda representa 75%. Coincidentemente, a Califórnia também representa 75% do consumo de vinho dos EUA, seguida pelo estado do Oregon, Washington, todos na costa oeste, e só depois New York e Texas.
Napa Valley acaba por ser uma mini boutique mostroária dos vários tipos de vinho, onde toda uma indústria turistica se desenvolve em seu redor. E lá fomos nós...
Chegados de fresco a Napa, tivemos a árdua tarefa de procurar um abrigo. A maior parte dos preços são pornográficos e os sítios fecham relativamente cedo, pelo que ou escolhíamos um sítio para dormir antes das 21h, ou provavelmente dormiríamos no carro!
Escolhemos, e bem, uma terrinha neste vale chamada Calistoga. Ficamos num pequeno "Bed&Breakfast", bastante simpático, com uns quartos acolhedores e por baixo, o bar mais animado da zona. Bebemos um copo com a fauna local e fomos descansar...
Acordamos sem saber que adegas visitar. Não é fácil escolher. Há imensas, mesmo muitas! Têm todas bom aspecto (leia-se um aspecto turístico), por isso decidimos começar pela que mais chamava a atenção: um castelo! Era uma imitação de um castelo italiano, construido por um ricalhaço, que deve fazer mais dinheiro com os castelo do que com os vinhos em si. Dizia que era uma réplica perfeita de um castelo italiano na zona de Florença, construído só com materiais e técnicas da altura... a parte do cimento que colava as pedras nas muralhas é que ficou por explicar!!
Devia ser meio-dia quando experimentamos o primeiro vinho... começámos com branco, seguimos para rosé e acabamos num tinto. Repetimos este ritual nas adegas seguintes :) Entra-se, pede-se um "wine tasting", pinga-se 10$-20$ e voilá...
Cada adega tem uma loja, onde vende os vinhos que produz bem como uma parafrenália gigante de objectos relacionados com vinho.
Depois de vários copos, seguimos para os outlets, onde com a desculpa de no dia a seguir não nos lembrarmos, gastamos quanto podíamos!
Com a mala cheia mas a barriga vazia seguimos à procura de jantar. Ficamos maravilhados com o restaurante aconselhado pela revista Wine Spectator, que faz parte do "The Culinary Institute of America". O ambiente, a decoração, o clima, o serviço, a comida e as bebidas uniram-se e formaram um dos melhores restaurantes que já fomos.
Bebemos um copo ainda num bar com música ao vivo e regressamos ao hotel. O que parecia ser um sítio acolhedor tornou-se num pesadelo. Tivemos de mudar de quarto nessa manhã e o novo quarto era em cima do bar e ao lado das casas de banho das histéricas das americanas. Acho que não vale a pena explicar o quanto sofremos... Os candeeiros tremiam sempre que o 50cent mandava umas rimas e as americanas entravam e saiam da casa de banho aos gritos, sempre com a conversa "..and than she said", " ..and I was like..", "...and she was like...", "..oh my God..", "..and one time, in band camp...."
O dia seguinte não foi muito diferente, embora explorássemos mais Sonoma Valley, um vale paralelo a Napa, mas bastante maior, menos turístico e consequentemente mais barato.
Conclusão, Napa Valley é uma zona com um grande nome, que produz pouco, onde cada hectar de terreno custa balúrdios e que faz com que os vinhos sejam vendidos a valores absurdos. Há mais turismo do que vinho propriamente dito. Não há restaurante nenhum em SF que venda vinhos a menos de $35! Que saudades dos 9€ do Muralhas!
Note-se a diferença de roupas entre uma mulher Portuguesa e uma Americana.

À porta de mais uma adega...

E mais uma...

As meninas não bebem... tinto!

Adegas com menor produção, evitam grandes infraestruturas de "packaging" sub-contratando este serviço móvel .